Friday, 21 March 2008

Andy Williams.

A minha infância foi extremamente musical. Tínhamos trilha sonora para tudo. Parecia um filme. Uma Hollywood em plena Fortaleza. Uma atmosfera fascinante.
Em meio a esses sons estava uma voz, única, impressionante em sua doçura e afinação. Chama-se - pois graças a Deus ainda está vivo - Andy Williams. Esse homem cantou da melhor forma o clássico Moon River, interpretou de maneira particular Your Song de Elton John, embeveceu gerações com sua gravação de Can't Help Falling Love. É sensacional.
Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos, o declarou "Tesouro da América" e ele realmente o é. Quando Bob Kennedy morreu, ele cantou The Star Spangled Banner - o Hino Nacional Americano - na cerimônia dos funerais. Numa terra de cantores do quilate de Sinatra e Bennett, Andy Williams é um símbolo daquele lugar. Hoje aos oitenta e um anos, Howard Andrew "Andy" Williams, continua fazendo apresentações com sua orquestra e morando em Branson, Missouri, onde tem um restaurante e um teatro.
Se você já conhece sabe do que estou falando. Se ainda não ouviu, procure ouvir, porque Andy Williams é um nome singular, que o tempo se encarregará de levar e nunca mais ouviremos similar. Ele faz parte de dias que não voltam mais.

Ser cearense.

“Triste coisa é a terra alheia”.
Juvenal Galeno


Somos um povo que desafia a viola, num repente, mestres do improviso como quem implica com a própria vida. Renitente, resistente, penitente, é assim que somos cearenses. Ouvimos os rangidos, os lamentos, os gritos soltos nas feiras, a cantiga dos que se retiram, mouros do sertão embrasado, do menino atuzigado pelo rame-rame da roldana, no poço quase vazio.

Somos assim, sem fronteiras, desbravadores do desconhecido, desassombrados, assanhados, sem qualquer acanhamento para pelejar noites a fio. Temos um sangue nas veias permeado de sonhos e sal, de mar e velas, jangadas e algodão. Temos as melodias do reizado, dos congos ancestrais, de maracatus dolentes. História contada em cordéis infinitos.

O cearense se reconhece no olhar, numa cumplicidade única em meio a tantos povos. Conhecemos-nos pelo dialeto, pela forma de tratar afável, pela bravura indomável, fé inabalável, muito embora a paisagem esturricada de vez em sempre diga não. Por isso achamos bonito aquele tempo chuvoso, que deixa passarinho nervoso procurando abrigo, pois sabem que quando o céu está negro a tempestade vem à galope que é pra gente festejar no terreiro, correndo na areia molhada, tomando banho de bica que escorre do avarandado.
Temos a delicadeza das dunas, o colorido das areias nas garrafas, os fios rendados nos bilros e labirintos, os mares de um verde sem fim, rompemos paradigmas, contradizemos predições, desconstruímos conceitos, fundamos códigos, fazemos verdade. Jangadeiros que enfrentam ondas e borrascas. Recarregamos em nossas praias a energia ensolarada de redes que balançam, de conversas que embalam, de amigos que se encontram. Vamos e voltamos como quem busca reencontrar a nós mesmos. Nossos caminhos, por mais longos que sejam, terminam nesta terra de abraço carinhoso e inexplicável beleza.

Fugimos dos padrões, as convenções nos assustam, renovamos pensamentos, adubamos movimentos, somos um moto contínuo, uma raça esquisita, de mulheres mais que bonitas, fortes, morenas, decididas.

Somos um povo de homens de brio, de vergonha na cara, de sorriso que escancara, que jamais recua, que não contém o avanço, que não conhece descanso, sempre a lutar por mais um dia.

O Ceará é assim. Um povo que libertou seus escravos antes do Brasil. Que escreveu sua história com ternura e fogo. Um mar de contrastes sem parelha, de paisagens e delírios, de vertentes e correntes, de coragem e sonhos. É lugar de gente boa, povo macho, pujante, feliz. Um celeiro de personagens.

Wednesday, 19 March 2008

19 de Março. Dia de São José.

Hoje é dia do Padroeiro do Ceará, São José, pai de Jesus, O filho de Deus. Se nesse dia chove é prenúncio de bom inverno. Orações ao alto. Choveu ainda há pouco. Faz-se festa no sertão. Vem do céu o que nossos homens e mulheres precisam. Amém.

Voltaire.

"Posso não concordar com nenhuma palavra que diz,
mas defenderei até a morte o direito que tem de dizê-las".

François-Marie Arouet (1694 - 1778), conhecido como Voltaire. Poeta, ensaísta, dramaturgo, filósofo e historiador iluminista francês.

Morrer jovem.

Morrer jovem é muito esquisito. É de uma ironia sem graça. De um espanto em que não cabem argumentos. Morrer jovem é muito estranho. Mesmo porque juventude é coisa relativa, num mundo em que Einstein já não está aqui para explicar.

Morrer jovem é como interromper uma música. É como cortar um filme ao meio, rasgar as páginas de um livro pra não se saber o final. É roubar de cena um ator em seu momento mais fantástico, em seu grande ato, sua cena mais brilhante. Porque morrer jovem é injusto. Injusto com as leis da natureza. Injusto com os que partem. Muito mais injusto com os que ficam. Pois saudade é morte lenta, passo-a-passo, emudecida, olhos cerrados, quase sem respirar.

Quem morre jovem não tem o que dizer. Vai calado, sem dizer palavra, num silêncio intrigante. Não tem quase história pra contar, não tem quase passado, não terá futuro. Quem morre jovem, seja qual for a forma, tem morte súbita. Porque é de repente se morrer jovem. Fica aquela sensação de poder ter feito mais. Poder ter dito mais. Aquela frustração de quem perdeu o jogo de sua vida.

Morrer jovem é contabilizar ao contrário. É descontar, é subtrair somente. É contar os abraços que deixou de abraçar, os beijos que não deu, as obras que não realizou, os sonhos que não viveu, a formatura que não aconteceu, o carro que queria e não veio, a namorada que amava demais da conta e que não deu conta de que você se foi. Morrer jovem é mais triste, porque a velhice é o que se espera e a juventude apenas vai acontecendo e a gente sempre se achando bem, se sentindo forte, audaz, capaz, feliz. Quando se morre jovem, se desdiz tudo o que tinha de haver. É a contramão da história. A volta de uma viagem que nem sequer chegou a existir.

Morrer jovem é não ter tempo. Não conseguir conhecer a beleza, não dar satisfação, não explicar, não dar até logo, ir direto ao adeus. Morrer jovem é mal educado, é nem pedir licença para levantar e sair. Morrer jovem é não aparecer no compromisso, é marcar a reunião e não ir. É fazer todo mundo de bobo. Dar um drible nos amigos, nos parentes, no cachorro. Morrer jovem é faltar a tudo que estava na agenda e se perdeu no ar. Morrer jovem é deixar para trás. É uma ida sem volta. Uma deslealdade. É ir a uma guerra e nunca mais voltar. É esperar por quem não vem. Morrer jovem é uma traição da vida em conluio com a morte. É uma armação para desesperar mães. É um desafio. Um fustigo. Morrer jovem é um deboche abominável.

Difícil retorno.

Quem disse que retornar é fácil? Não é não. A volta é penosa, carece de disciplina, precisa, para que aconteça, que possamos nos preparar para vestir outra vez a roupa que estava esquecida no armário. Bater a poeira, espantar o comodismo e porque não dizer, se desacovardar de escrever o que pensa e da forma que gosta.
E assim é que se processa tudo nessa vida. Um pouco de ousadia. Uma dose de vontade. Uma inquietação que provoca.


Saturday, 19 January 2008

Hoje na história: Howard Hughes.

Foi em 19 de Janeiro de 1937, que Howard Hughes estabeleceu um recorde de vôo transcontinental ao voar de Los Angeles à Newark (New Jersey) em 7 horas e 28 minutos. Howard Hughes (1905-1976) foi aviador, engenheiro, industrial, produtor de cinema, diretor cinematográfico, playboy e um dos homens mais ricos do mundo.
Ainda em 1937, foi eleito o melhor aviador do mundo ao conquistar o Harmon International Trophy e é homenageado pelo Presidente Roosevelt na Casa Branca. No ano seguinte, estabeleceu um novo recorde, desta vez ao dar à volta do mundo em 3 dias, 19 horas e 17 minutos. Durante o vôo bateu o recorde anterior de Charles Lindbergh de New York a Paris pela metade.
Hughes morreu no México em 5 de Abril de 1976, solitário e em estado físico e mental deplorável, fruto de uma enfermidade psíquica chamada microfobia. Irônicamente ele se foi à bordo de um avião, quando fazia o percurso Acapulco-Houston para tratamento de saúde.

Woodrow Wilson.

"Se você quiser criar inimigos, tente mudar alguma coisa."
Woodrow Wilson (1856-1924)
28º Presidente dos Estados Unidos da América

Iceberg do Guto.

E quando abro minha caixa postal encontro uma mensagem carinhosa de meu amigo Guto Freitas que me envia essa majestosa fotografia de um iceberg. Uma frase acompanha a foto e não precisa mais que isso porque - apelo para um cliché - uma imagem diz mais que mil palavras.
Começar o ano com presentes dos amigos, me refiro a presentes para o espírito, claro, são uma boa forma de inaugurar um novo ciclo. Obrigado Guto e aquele abraço.

Depois do mergulho.

Depois de um mergulho de alguns dias, cá estou eu de volta, buscando nesse novo ano a serenidade que refrigera, a sabedoria que orienta, a compaixão que acalenta, a compreensão que perdoa, a força que avança, a coragem que desafia, a paz que explica. Ter grandeza de enxergar a floresta ao invés de ver apenas a árvore. Valorizar o todo ao invés do acessório. Quero isso desse ano que apenas engatinha.
Meu mergulho foi como o desse tigre. Mergulhei em busca de alimento para alma, de contemplar o mar, de avistar o horizonte. Mergulhei para processar o que fiz e o que vou fazer. Mergulhei no intento de rever posições, de ser menos severo comigo e com os outros. Mergulhei para encontrar a mim mesmo no fundo desse imenso oceano da existência humana.

Tuesday, 1 January 2008

Viva Fortaleza 2008!

Magnífico. Foi assim o Reveillon de Fortaleza, que aconteceu no Aterro da Praia de Iracema. Segurança absoluta com a presença maciça da Polícia Militar, a Ronda do Quarteirão, a Guarda Municipal. Uma sensação boa de tranqüilidade e harmonia. Como, aliás, deveria ser sempre. Tudo transcorreu dessa forma. Queima de fogos de artifício de encher as retinas, linda e feérica, com todas as cores que se possa imaginar. Gente de todas as idades se cumprimentando num absoluto clima de convivência cidadã. Não se viu um incidente sequer. De parabéns a Prefeitura que realizou o que prometeu, tapando a boca dos críticos de plantão. De parabéns a cidade que ganhou com essa bela festa que já está fazendo parte do calendário de eventos fortalezense.

Monday, 31 December 2007

Reveillon.

Quis começar um ano diferente. Despojado de excessos, asséptico, limpo em minha essência, em silêncio voluntário, quase sacro, como uma igreja vazia até de mim. Quis romper uma fita reinaugurando a vida. Reiniciando do começo, engatinhando a alma para me ver crescer melhor, com mais temperança e menos gula. Com mais serenidade e menos ânsia. Sem aqueles atropelos que servem de desculpas para errar tanto. Quis começar um ano num longo banho de água corrente, deixando escorrer as mágoas que porventura tenham teimado em ficar, deixando ir-se até a derradeira gota de rancor e de insatisfação com o que passou.

Quis passar a página, cessar o capítulo, fechar o livro do passado e abrir as páginas do futuro, com aquele cheirinho característico de coisa nova, sem bolor, ou poeira fina que esconde o brilho. Foi assim que quis fazer.

Resolvi que nos dias que virão, por todos os possíveis, tentarei ir tirando as vestes sombrias, me despindo daquilo que me traz sofrimento, tentando por os pés nus no chão, sem reservas, sem aqueles melindres dos cuidadosos ao extremo. Quero trajar estampados, floridos, jardins cem por cento algodão. Quero me aventurar mais, brincar na neve, correr nos campos, pegar as alfazemas nas mãos, perfumar minha varanda, abrir-me para o espaço, desmedidamente, como que me atirasse inteiro na luz. É assim que quero ser.
Quero sentir a brisa de olhos fechados, deixar cair a chuva percebendo o cheiro de mato encharcado, quero olhar para o céu estrelado, constelações inteiras para ofertar a quem amo de verdade. Com o espírito repleto de meninices que o tempo me fez esquecer e que ficaram guardadas nos escaninhos de minha existência. Quero estar pleno, para poder dividir. Obstinado para poder somar. Sábio para poder multiplicar. Compreensivo para poder subtrair. Fazer as quatro operações dessa matemática inventiva e simples que a vida nos ensina e que, arredios, muitas vezes não queremos aprender. Pois de que é feita essa passagem senão de diversos minutos que podem se eternizar pelo sentimento, por aquilo que vai em nosso coração? De que é feita essa vida senão de amores sem fim, paixões enlouquecidas, sorrisos fartos, abraços apertados de bem querer, mãos estendidas para pegar o outro no ar, fé inquebrantável, orações ao alto, palavras que afagam? É assim, decerto, que daqui adiante quero ser.

Ser como criança, desassombrada, que balança solta, sem quedas na mente, sem pruridos tolos, com aquela inocência que brota dos olhos com especial fulgor. Quero ter a alegria insensata dos carrinhos pequeninos, das fantasias e sonhos sem fim, do rever o que importa e que foi sendo deixado pelo caminho. Pois o que vale mesmo dessa lida é poder ter dentro de si a esperança de um grande reencontro, quando todos nós estaremos em volta de uma mesa, no banquete divino que celebra a liberdade, a ternura e o para sempre. Afinal, deve se saber que o que vale não é a chegada, mas o caminho que percorremos até aqui.

Sunday, 23 December 2007

Adeus Dom Aloísio...

Nada o intimidava, apesar do olhar sereno próprio daqueles homens que tem metade anjo em sua alma. Enfrentou ameaças de toda sorte, baionetas militares, lutou pelos direitos humanos, falou em nome daqueles que viviam o silêncio da opressão.

Um episódio é substancialmente emblemático na vida de Aloísio Leo Arlindo Lorscheider, Dom Aloísio para quem o viu passar por Fortaleza, de 1973 até 1995.

Lembro-me claramente que em março de 1994, o Cardeal foi vítima de um inominável ato de violência. Ele fazia uma de suas rotineiras visitas matutinas ao Instituto Penal Paulo Sarasate, em Fortaleza, onde assistia as condições em que viviam os detentos. Enquanto discursava no auditório insalubre, a luz apagou e uma repórter, Adriana Saboya, que acompanhava a visita, ouviu vozes na platéia. Tudo indicava que os presos estavam conspirando. Segundos depois, dois deles dominaram D. Aloísio e instauraram uma rebelião. Arrastado para debaixo de uma mesa, a primeira coisa que o Cardeal fez foi pedir aos rebelados que fosse o último refém a ser libertado. Pedido atendido, mas somente dezoito horas depois. Menos de um mês depois do episódio, lá estava de volta o bravo Cardeal, ao mesmo presídio, em condições semelhantes, desta vez para celebrar a cerimônia do lava-pés nos detentos. Esse era o Aloísio que conhecemos. Um bravo homem do Senhor.

Tive a grata e honrosa oportunidade de conviver com ele por algum tempo na Rádio O Povo, quando coordenava a FM daquele Sistema e o via proferindo a Ave Maria todos os finais de tarde, sempre com uma palavra de alento aos que mais precisavam, com um afago aos desvalidos. Foi o único brasileiro até os nossos dias a receber votos num conclave para escolher um papa, o que aconteceu em 1978, na eleição de João Paulo I, que votou em Dom Aloísio até o derradeiro escrutínio.

Hoje Dom Aloísio não está fisicamente entre nós. Partiu logo cedo, às cinco e meia da manhã. Mas a saudade que sentimos certamente será aplacada pela mensagem que deixou, afinal, um homem é sua obra e a de Dom Aloísio é das mais benévolas que podemos ter conhecido.

Wednesday, 19 December 2007

Versace, o atemporal.

A Medusa virou marca do designer italiano, natural de Reggio Calábria, Gianni Versace, desaparecido em 1997. Ainda em vida, Versace criou para Rosenthal um dos mais elegantes serviços de mesa de nossa época com decorações luxuosas. A inspiração para as coleções em porcelana e cristal é derivada de diferentes culturas, períodos de tempo, espaço e história, com motivos gregos, barrocos e russos, entre outros.
O encontro Rosenthal - Versace se deu em 1993, dando início a uma parceria com o estilista. No mundo todo seu nome simboliza o luxo, a aliança refinada do clássico com a vanguarda.

Hoje na história: Rubem Braga.

Em 19 de Dezembro de 1990, Rubem Braga nos deixava. Findava-se assim a vida de um dos maiores cronistas brasileiros.
Rubem Braga, natural de Cachoeiro do Itapemirim (ES), tinha o dom de imortalizar o cotidiano. Conseguia, de maneira inigualável, transformar um texto jornalistico em crônica. Desde que surgiu para a literatura, na década de 30, o "Sabiá da Crônica", como o chamava Stanislaw Ponte Preta, encantou o leitor brasileiro. Retratando com limpidez o complexo cotidiano do país, Rubem Braga dava à crônica brasileira uma nova dimensão que somente os grandes escritores sabem dar: a universalidade.
O último plano de Rubem, simples e perfeito como os que organizaram sua obra, seria colocado em prática dias após sua morte: a cremação em São Paulo. Certamente seus amigos lembraram-se de uma pequena crônica sua, chamada "Berço de mata-borrão", onde Rubem conta sua curiosa pesquisa atrás da melhor maneira de se fazer cremar. A bem-humorada crônica expõe o lado metódico e precavido do autor, que, dois dias antes de sua morte, reuniu os amigos na sua cobertura em Ipanema, Rio de Janeiro, no que todos entenderam como uma despedida.
Sobre sua partida escreveu certa vez:
"Sempre tenho confiança de que não serei maltratado na porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem para não me deixar entrar, ele ficará indeciso quando eu lhe disser em voz baixa: Eu sou lá de Cachoeiro..."

Dou-lhe uma...

E a cópia da Carta Magna da Inglaterra, um dos documentos históricos mais importantes do mundo, que estava sendo leiloada na casa Sotheby's, famosa casa de leilões - conforme noticiamos ontem -, foi arrematada na noite desta terça-feira em New York por US$ 21,321 milhões, cerca de R$ 38 milhões. O dinheiro arrecadado será destinado a atividades de caridade da Fundação Perot, detentora anterior da preciosidade.
O novo proprietário do documento é David Rubenstein, do Grupo Carlyle. Ele já anunciou a sua intenção de continuar mostrando o documento ao público no Arquivo Nacional de Washington, onde está em exibição já há mais de duas décadas.
A Carta Magna do Rei João Sem Terra, é considerada por uma corrente de historiadores, como a semente da Revolução Americana, sendo o manuscrito que consagrou os direitos do homem na legislação inglesa. O texto inspirou a paixão pela liberdade que floresceu nos Estados Unidos no XVIII Século e que permance até hoje em todo o mundo. Os princípios da Carta foram citados como justificativa da rebelião americana por John Adams, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton, Thomas Jefferson e outros líderes políticos americanos.
O manuscrito medieval que foi leiloado ontem, foi redigido num pergaminho contendo 2.500 palavras em latim. É a única cópia do documento que existia nos Estados Unidos e a única em poder de entidades privadas. Esta é uma das duas cópias que estão fora da Inglaterra. A outra, também de 1297, pertence ao povo australiano e está na Biblioteca Nacional da Austrália.

Entre as maiores.

Entre as cem maiores cidades do Brasil, lá estamos nós - segundo o IBGE -, honrosamente em 12º lugar. Estamos à frente de Recife/PE, Vitória/ES, Belém/PA e Goiania/GO, só para citar alguns exemplos.
O estudo traz os valores adicionados da agropecuária, indústria e serviços, o PIB e o PIB per capita para os 5.564 municípios brasileiros, já segundo a nova base das Contas Nacionais, lançada em março deste ano.
Mas, se a pesquisa se referisse a índice de felicidade per capta, certamente estaríamos em primeiríssimo lugar absoluto, pois esta é uma característica ímpar de nossa gente.

Tuesday, 18 December 2007

Magna Carta.

Uma cópia da Carta Magna da Inglaterra, cujo nome completo é Magna Carta Libertatum seu Concordiam inter regem Johannen at Barones pro concessione Libertatum ecclesiae et Regni Angliae (Grande Carta das Liberdades, ou Concórdia entre o Rei João e os Barões para a outorga das Liberdades da Igreja e do Rei Inglês), considerada pelos ingleses como sua constituição, está a venda na Sotheby's, renomada casa de leilões britânica.
A Carta Magna inglesa original foi escrita pelo Rei João, conhecido como João Sem Terra e trata-se de um documento datado de 1215 que limitou o poder dos monarcas da Inglaterra, especialmente o do próprio rei, que a assinou, impedindo assim o exercício do poder absoluto. Resultou de desentendimentos entre o Rei, o Papa e os barões ingleses acerca das prerrogativas do soberano. Segundo os termos da Magna Carta, João deveria renunciar a certos direitos e respeitar determinados procedimentos legais, bem como reconhecer que a vontade do rei estaria sujeita à lei. Considera-se a Magna Carta o primeiro capítulo de um longo processo histórico que levaria ao surgimento do constitucionalismo.
Inglaterra, o império onde o sol nunca se põe, civilizada desde sempre.

Natal de chocolate.

Juntar a festa do Natal e o sabor do chocolate. Essa é a proposta da paulista Sweet Brazil. Como não há época no ano que acumule mais festas e encontros familiares, nada mais criativo e saboroso do que presentear aos que queremos bem com o melhor sabor que existe.
Vejam pela foto que maravilhas se pode fazer com essa unanimidade mundial.

Hoje na história: Taça Jules Rimet.

Em 18 de Dezembro de 1983 a Taça Jules Rimet, conquistada definitivamente pelo Brasil com o tri-campeonato mundial de futebol na Copa do México de 1970, foi roubada da sede da CBF. Feita de 1,8 quilo de ouro puro ela foi derretida pelos ladrões. Uma réplica autorizada tomou o seu lugar desde então.

Princess Diana.

"A vida é na maior parte espuma e bolhas, mas duas coisas prevalecem como pedra: bondade com os problemas alheios e coragem com os seus próprios."

Princesa Diana


Nennolina.

A Igreja Católica iniciou o processo de beatificação de uma italiana de 6 anos e meio que morreu em 1937 de câncer após uma "vida mística intensa". O anúncio foi feito hoje através de um comunicado do Vaticano e que tem a determinação do Papa Bento XVI para que se adiante a análise dos milagres de Antonietta Meo, apelidada de Nennolina.
A menina de Roma, que teve uma perna amputada por causa do câncer nos ossos, pode tornar-se a mais jovem beata da história da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, sem contar os meninos "mártires" vitimados nas perseguições religiosas dos primeiros séculos do catolicismo.

Monday, 17 December 2007

Hoje na história: Flórida.

Em 17 de Dezembro de 1819 os Estados Unidos adquiriram a Flórida pondo em prática o projeto de expandir seu território após a declaração de independência do País. Os Estados Unidos compraram a Flórida da Espanha por 5 milhões de dólares.

Martin Luther King, Jr.

"Eu guardei muitas coisas em minhas mãos, e perdi todas; mas todas que coloquei nas mãos de Deus, essas eu ainda possuo."
Martin Luther King, Jr.

Sunday, 16 December 2007

Hoje na história: Ludwig Van Beethoven.

O compositor Ludwig Van Beethoven nasceu em Bonn, Renânia do Norte, Alemanha, aos dezesseis dias de Dezembro de 1770. Com toda a justiça, é considerado um dos pilares da música ocidental pelo incontestável desenvolvimento tanto da linguagem, quanto do conteúdo melódico demonstrado em obras seus quartetos de cordas, a nona sinfonia, suas últimas sonatas e outras peças.
Ludwig nunca teve estudos muito aprofundados mas sempre revelou um talento excepcional para a música. Com apenas nove anos de idade foi confiado a Christian Gottlob Neefe (1748-1798) que lhe deu a conhecer os grandes mestres alemães da música. Compôs as suas primeiras peças aos onze anos. Os seus progressos são de tal forma notáveis que em 1784 já era segundo organista da capela do Eleitor. Pouco tempo depois foi violoncelista na orquestra da corte. Em 1787 foi enviado para Viena para estudar com Joseph Haydn. Existem especulações históricas sobre um provável encontro entre Beethoven et Wolfgang Amadeus Mozart mais não existe nenhum fato histórico que possa comprovar esta hipótese.
Em 1792, mudou-se para Viena, e, salvo algumas poucas viagens que teve de fazer, permaneceu lá até o fim de sua vida.
Por volta de seus 24 anos (1794), Beethoven sentiu os primeiros indícios de surdez. Consultou vários médicos, inclusive o médico da corte de Viena, fez curativos, realizou balneoterapia, usou cornetas acústicas, mudou de ares, mas os seus ouvidos permaneciam enrolhados. Desesperado, entrou em profunda crise depressiva e pensou em suicidar-se. Em 1802, escreve o seu testamento aos seus dois irmãos vivos Karl e Johann: é o "Testamento de Heilingenstadt". Embora tenha feito muitas tentativas para tratá-la durante os anos seguintes, a doença continuou a progredir e, aos 46 anos (1816), estava praticamente surdo. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Beethoven jamais perdeu toda a audição, muito embora não tivesse mais, em seus últimos anos, condições de acompanhar uma apresentação musical ou de perceber nuances timbrísticas.
Beethoven é um de meus compositores favoritos, autor de peças de um lirismo incontestável, lindas harmonias e melodias inesquecíveis. Para se tornar eterno bastaria que tivesse composto a Mondschein Sonate (Sonata ao Luar), uma das mais belas músicas que já tive oportunidade de ouvir.

Kaká. O nome do melhor.

Kaká arrebentou o Boca Juniors da Argentina e fez o Milan ganhar a final do Campeonato Mundial de Clubes por um placar de 4 a 2, tendo marcado um dos gols. Foi escolhido ainda o melhor do certame e é franco favorito para faturar, amanhã, o troféu de melhor jogador do mundo escolhido pela FIFA. Mas lembrem-se: a genética é tricolor. Aliás tricolores são os dois.

Saturday, 15 December 2007

Niemeyer. Ano 100.

Nascia em 15 de Dezembro de 1907 no Rio de Janeiro, o maior arquiteto brasileiro e um dos mais influentes na arquitetura moderna internacional, Oscar Niemeyer.
É responsável por paisagens memoráveis de nosso País, como o Complexo da Pampulha em Belo Horizonte, Minas Gerais e é claro, Brasília, Patrimônio Histórico da Humanidade, capital do Brasil. Apesar de estar completando centenário de vida, Niemeyer está na ativa e planeja inclusive construir um estádio de futebol para a Copa do Mundo de 2014 que vai se realizar em nosso País.


Invictus.

Particularmente gosto muito da poesia inglesa. Seu alinhamento realista e crítico sobre a vida me agrada demais. Trago hoje para vocês um poeta, William Ernest Henley (1849-1903), que, por ser editor, introduziu ao mundo diversos jovens autores, como Kipling, Wells e Yeats.
Ainda que seus versos sejam notados pela bravura e espirito desafiador, sua poesia podia ser igualmente delicada e lirica. Seus poemas mais famosos incluem England, My England e Invictus, que transcrevo logo abaixo para que possam conhecer um pouquinho deste escritor.
Do fundo da noite que me envolve
Escura como o inferno de ponta a ponta
Agradeço a qualquer Deus que seja
Pela minha alma inconquistável

Nas garras dos destino
Eu não vacilei nem chorei
Sob as pancadas do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas ereta

Além deste lugar tenebroso
Só se percebe o horror das trevas
E ainda assim, o tempo,
Encontra, e há de encontrar-me, destemido

Não importa quão estreito o portão
Nem quão pesado os ensinamentos
Eu sou o mestre do meu destino
Eu sou o comandante da minha alma.

Hoje na história: Pero Vaz de Caminha.

Pero Vaz de Caminha, escrivão da esquadra de Pedro Alvarez Cabral, navegador português que avistou terras brasileiras em 22 de Abril de 1500, é o responsável pela primeira impressão do que aqui foi encontrado. Seu relato em forma de carta ao Rei de Portugal, Dom Manuel I em 1º de Maio daquele ano, tornou-se célebre por ser uma emocionante narrativa sobre a nova terra que acabara de ser descoberta e é considerada uma espécie de "certidão de nascimento" do Brasil.
O trecho final é sobremaneira encantador e belo, e traduz com exatidão quase profética os destinos de nosso País. Disse assim Caminha:
"Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos, terra que nos parecia muito extensa.
Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!
Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!
E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.
E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro o que d'Ela receberei em muita mercê.
Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500".
Pero Vaz de Caminha morreu em 15 de Dezembro de 1500, apenas alguns meses após ter pisado praias brasileiras. Tudo leva a crer que sua morte foi em combate na região de Calicute, durante um ataque muçulmano a feitoria daquele lugar.

O mais caro sal do mundo.

Esse mundo é feito de sutilezas e sabores infinitos. Em meio a esse mosaico cultural que é a gastronomia, um taco desse multicor universo chama a atenção: A Flor de Sal Defumada, que custa cerca R$ 375,00 o quilo. Mais caro que o sal comum umas quatrocentas vezes, esse sal guarda o sabor dos minerais e das algas do mar da Normandia, costa da França. Os cristais, sempre em pequenas quantidades, são defumados em barris de carvalho anteriormente usados no envelhecimendo de vinhos. Um blend que provoca o mais indiferente paladar. É uma especialidade única.